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M+ apresenta grande retrospectiva dedicada a Zao Wou-Ki

Editor: Daniela  |  De: EyeShenzhen  |  Atualizado: 2026-02-27

“À la gloire de l’image et art poétique”, de Zao Wou-Ki. Foto de arquivo

Visitantes apreciam pinturas de Zao Wou-Ki na exposição. China News Service

Pintura criada por Zao Wou-Ki em 1974. Foto de arquivo

O museu M+, em Hong Kong, apresenta “Zao Wou-Ki: Mestre da Gravura”, a primeira grande retrospectiva asiática inteiramente dedicada à obra gráfica de Zao Wou-Ki (1920–2013). Abrangendo mais de cinco décadas de criação, entre 1949 e 2000, a exposição acompanha o envolvimento contínuo do artista com a gravura, revelando-a não como uma prática secundária, mas como uma dimensão vital e experimental do seu percurso artístico — responsável por possibilitar a sua singular síntese entre tradições orientais e ocidentais e por fomentar colaborações profundas entre diferentes continentes.

Coorganizada pelo M+ e pela Fundação Zao Wou-Ki, a mostra reúne cerca de 180 obras provenientes de uma importante doação de Madame Françoise Marquet Zao — viúva do artista, curadora-chefe e presidente da fundação —, bem como contribuições da filha do artista, Sin May Roy Zao, e mais de 50 empréstimos de museus internacionais e coleções privadas. A exposição inclui gravuras, livros ilustrados, obras sobre papel e materiais de arquivo que acompanham a prática da gravura desde as primeiras experiências do artista em Paris, em 1949, até ao ano 2000, revelando um processo criativo tão experimental e rigoroso quanto as suas célebres pinturas em tela.

A exposição organiza-se em três secções. Em “Encontro com a Gravura”, o público acompanha a imersão inicial do artista nas técnicas parisienses — litografia, água-forte e água-tinta — combinadas com a familiaridade formativa com a xilogravura chinesa aprendida no seu país natal. Zao descreveu posteriormente a gravura como “quase um jogo”, um contraponto lúdico e imprevisível à pintura a óleo que abriu novas possibilidades de criação gestual.

A segunda secção, “Rumo à Abstração”, mostra como, na década de 1950, as gravuras de Zao passaram a evocar forças elementares e paisagens imaginadas. Recorrendo à ponta-seca, à técnica sugar-lift e a outros processos de gravura em talhe-doce, o artista utilizou linhas gestuais e cores intensas em composições que transformam a energia caligráfica em abstrações líricas.

A secção “Sem Fronteiras” destaca obras posteriores, a partir da década de 1970, período em que Zao alcançou uma síntese madura entre tradições orientais e ocidentais. Estas gravuras tardias distinguem-se por paletas mais luminosas, ritmos compositivos mais livres e um sentido taoista de equilíbrio que une técnica e poética.

Zao Wou-Ki ocupa um lugar singular na abstração do século XX: um artista nascido na China plenamente integrado em Paris, sem jamais abandonar a memória visual da tinta e da caligrafia. “Zao Wou-Ki: Mestre da Gravura” convida o público a descobrir as obras gráficas que alimentaram a sua imaginação e a reconhecer a gravura como um motor essencial do intercâmbio artístico moderno.

Datas: até 3 de maio

Local: Main Hall Gallery, M+, Distrito Cultural de West Kowloon, Hong Kong (SD News)

O museu M+, em Hong Kong, apresenta “Zao Wou-Ki: Mestre da Gravura”, a primeira grande retrospectiva asiática inteiramente dedicada à obra gráfica de Zao Wou-Ki (1920–2013). 
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M+ apresenta grande retrospectiva dedicada a Zao Wou-Ki